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terça-feira, 10 de janeiro de 2023

um dia

há dias em que nem me lembro que tenho corpo. as horas passam e esqueço-me que ele cá está e é inteiro, não feito de metades, remendos e retalhos. 

gostava de voltar a senti-lo. e gostava ainda mais de lhe dizer o quão grata estou por me deixar existir cá dentro.

um dia, talvez o faça. hoje não.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2022

dispersão de mim

tenho os pensamentos dispersos por pedaços de papel, cadernos soltos e rascunhos digitais porque o mundo indomável que tenho dentro de mim quer explodir e preciso, necessito, tenho de o deixar sair pela ponta dos dedos, embora que caoticamente (mais vale sair caos pela ponta dos dedos do que pela ponta da língua)

é na (des)ordem que me transformo e me sei, é aqui que começo e ainda não acabo.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2022

nos entretantos

estou cansada.

cansada de correr contra o tempo, correr contra os pensamentos e a falta de ser.

gostava de existir sem preocupações, sem pensar que o amanhã existe porque se existe será só mais um dia com tasks, cards e to-do's que ditam quem sou - quantos mais faço, melhor me creem, mais credível sou aos olhos alheios.

o que é a vida e o dia a dia sem checklists e contabilização de horas? sem olhos postos no tempo e o tempo de olhos postos em nós?

quem sou que não o meu trabalho? quem sou antes das 9 da manhã e depois das 18 da tarde?

estou a encontrar-me aos poucos e fora de mão, fora do caminho de casa para o trabalho e do trabalho para casa. tenho sentido que é nos entretantos que do dia que descubro de que sou feita, é sempre nos entretantos do dia que sou e me deixo ser.

estou cansada. mas quero descobrir quem sou sem filtros de outros.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

desde sempre

Desde sempre desejei alguém que soubesse contornar os meus maus-humores, que me desse a mão nas lutas diárias contra a imagem ideal que a sociedade cria e exige de cada um, que me abraçasse quando soubesse que é de paz que preciso.
Desde sempre idealizei como uma criança que nunca perde a esperança ter o amor da sua vida, a outra metade da sua alma.
Desde sempre imaginei como seria ter alguém que nos compreende-se apenas com o olhar, sem que uma única palavra fosse proferida.
Desde sempre quis saber como é dizer a alguém que a amamos do mais ínfimo do nosso ser e ouvir, sentir e saber que o sentimento é sinceramente recíproco.

Desde sempre que te quero a ti e sabe tão bem saber que a ti te tenho.

terça-feira, 6 de março de 2018

sabes?

Não tenho amor próprio. Deixei de o ter quando te conheci e foi, em tempos como este percebo, o ato mais suicida que já fiz.
Amar-te a ti antes de me amar a mim é como esquecer todo o passado que me construiu, todo o passado que me fez, que me moldou.
Não nos amarmos é não nos preocuparmos connosco mesmos, é não ser egoísta de vez em quando, é dar tudo a outra pessoa e esperar ela que cuide de nós, por nós, é perder-me a mim, se te perder a ti.

E confesso, sabes? que estou atormentada com o pensamento de que isso poderá estar a acontecer.

terça-feira, 30 de maio de 2017

não quero

Coração fraco, mente fechada.
É em dias como este, que existo, mas não queria. 
Não me sinto aqui e não sei porque fico. 
Levem-me. 
Não estou, mas obrigam-me a estar. 
O mundo cheio lá fora, um corpo oco, aqui sentado. 
Não queria, mas tem que ser. Tudo é um "tem que ser" neste planeta de "faz de conta". Tenho que ser, e eu não quero mais. 
A dor, a frustração e descontentamento são demasiado para este corpo tão pequeno que vai ficando, mas quer partir.

Não sou, mas vou sendo. 
E eu já não sei se quero mais.

domingo, 21 de agosto de 2016

Que acabe a vida se um dia acabares em mim.

domingo, 23 de agosto de 2015

Quero deixar de me sentir prisioneira das minhas próprias palavras por ter medo de quem as lê,
por ter medo da mal interpretação alheia.

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

somos novos "eus"

Estou sã. Felizmente, estou sã.
Tudo é claro na minha mente. Não há misturas, há pensamentos tripartidos. 
Nada mudou.
As palavras não mudam o sentimento. Não vai voltar a existir um nós, Um "eu e tu".
Somos vidas separadas, caminhos bifurcados, almas soltas que não tem como voltarem a juntar-se.
Não tentes, poupa o folgo e pára de correr.
Deixa-te ir, que eu já me fui há tempos. Deixa de entrar na minha vida quando queres e te apetece.
Já está esquecido e enterrado o que em tempos fomos.

Pára, já chega.
Chega de forçar o destino.

sábado, 1 de agosto de 2015

Custa estares longe quando te quero mais perto que nunca. Custa dizer que sinto a tua falta por mensagem quando o que mais quero é dizer que te amo ao ouvido. Custa que estejas aí e não aqui. Custa. Custa um corpo que aguente a saudade, custa algumas lágrimas e outras tantas dores.
Ao menos que estejas tu bem. Ao menos tu.

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Já não sei, confesso, escrever um único texto sem que as palavras se enquadrem, quase que automaticamente, contigo. Já desisti de tentar não escrever sobre o que somos e o que temos, porque perdi a capacidade de não falar de amor, particularmente do nosso, há já muito tempo.

A felicidade das pessoas que escrevem, pode ser manhosa: ainda por mais que queiramos escrever uma palavra sem soar estupidamente sorridente, o desafio torna-se quase impossível e deixamos de sentir a necessidade de transpor esse sentimento, tão puro e ingénuo, em palavras para outros.
Nestes casos, por mim falo, desisto de tentar encontrar palavras teimosas.
Tenho-me assim, limitado a viver pequenos grandes momentos que a vida me tem dado quase que todos os dias.

E tão bem que me sabe fugir de vez em quando de tentativas falhadas para descrever coisas inexplicáveis.

domingo, 7 de setembro de 2014

(des)culpa

Enchi a banheira para pensar em ti, e acabei a pensar em nós.

Deitei o corpo que depressa se encheu de água, de ti e de mim. Tenho nele a alma de quem já nada teme o que de pior há-de vir, porque o pior já passou, se passou. E tu bem sabes, tu bem sabes que passou.
Todos aqueles dias sem ti fizeram-me mal. Também, qual é o dia que não faz mal sem te ter junto a mim?

Enchi os olhos de lágrimas para pensar num futuro sem ti, e acabei a pensar em saudade.

Não digo que te quero sempre perto, sempre junto ou até mesmo para sempre, só te peço horas. Horas são suficientes para te amar desalmadamente. Para te amar sem limites.
O amor tem limites? Não?
E nós, temos? Também espero que não.
São tantos os planos, tantos os sonhos, dias a contar ter-te... E se não te tiver?
Os dias não se fazem, mas creio absolutamente que fazê-los contigo, é possível.
Contigo, tudo é possível. É sempre.

Enchi os ouvidos até a cima para não ouvir nada, e acabei a ouvir o coração.

Agarro-me à esperança que só te vais quando te deixar ir, mas não sei. Não sei. A esperança não dura se não for estimada, e começo-me a aperceber que nem tu.
Vens cá, ou preciso de te ir buscar? Olha que vou, mesmo que não mo peças, olha que vou e fico.
Agora sei que ia. Antes não. Antes tinha medo de ir e ficar a meio do caminho sem saber qual deles seguir.
Mas agora tenho a certeza que ia se pudesse.
Acreditas, não acreditas?
Aconteça o que acontecer, de agora em diante, eu juro-te, juro-te que se não vieres, eu vou, mas tens que me prometer que tentas ao menos ficar, porque se fores quando eu chegar, a vida a acaba. As horas desistem de correr e eu tenho um medo terrível de ter que deixar de te amar.
Não conheço outro mundo sem ser aquele em que estás e não vais.

Enchi de ar os pulmões. Quis pensar em nada.
Acabei a pensar em tudo.

terça-feira, 22 de julho de 2014

a saudade aperta e não vai

Conto os dias que faltam para te ver. São precisas três mãos, dois dedos e um corpo maior para tanta saudade. 
Que falta me fazes em noites como esta, em que se ouvem as cigarras ao longe, e o silêncio da madrugada juntamente a mim, em que se vêem as estrelas e o vizinho do lado a fumar um cigarro sem camisola tranquilamente, depois de, quem sabe, uma noite de prazer com a companheira. Que falta me fazes quando não estás. Quem diria que uma noite de céu limpo se tornaria tão misera como esta.
Conto os dias que faltam para te ver, e são tantos que quando abro as mãos para os contar, fujo do mundo para não contarem as lágrimas que me caem porque de certeza que são tantas ou mais do que os dias que faltam para te tocar.

sábado, 5 de julho de 2014

só espero que estejas bem

Torna-se difícil para mim, respirar, os dias sem ti são somente nuvens de momentos inanimados, e o ar prendesse cá dentro por não ter razão de sair. Não te tenho a meu lado, não sei onde estás. Sufoco de pensamentos e não respiro por te querer aqui como nunca antes quis. Os dias parecem-me cada vez mais longos e a vida passa-me ao lado. Não te consigo ouvir, mas sei que neste momento, falas debaixo do mesmo céu que eu. Afogam-me os minutos e a dor da saudade. Suportar nunca foi o meu forte, por isso, caio na cama, rendida, e penso em ti. Não te vejo aí, nem ali, mas sei que existes porque estás tão vivo aqui, dentro de mim.

quinta-feira, 15 de maio de 2014

vida de estudante que tudo quer, mas nada faz

Bebo um café e olho os papeis que se encontram sobre a mesa branca e suja da comida que por aqui passou enquanto não estive, as palavras e as linhas das folhas contrastam-na na perfeição. Olho-as como se do meu futuro se tratasse: com indiferença. Decoro frases e tento compreender o seu significado passando à frente aquelas que mais tarde, digo para mim, lhe tocarei de novo. Vejo nublado e sinto os olhos a arderem-me. Quero fechá-los, mas as fichas relembram-me que há certas coisas que simplesmente, não podem ser como queremos.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Só quero que saibas, que apesar de todas as coisas que me saem da cabeça directamente para a boca, eu continuo a amar-te da mesma maneira.

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Ainda hoje exibes triunfante ao mundo o que me arrancaste, preferes recordar os teus tempos de gloria, a dizeres em voz audível aquilo que sempre temeste: não voltar a ter algum amor igual ao que eu te dei.

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Vivemos um amor ingénuo.

o que foi e não volta

De todas as vezes que te olhava, eu sabia que tinhas mais do mim do que eu mesma. Dar tanto a alguém era um absurdo, e apesar de o saber, ingénua, acreditava que era possível. Esperei, embora não quisesse, pelos pedaços com que ficaste, mas que nunca me devolveste. Foste egoísta e não mos deste de volta. Não queria esperar que mos desses porque esperava ainda os ter, mas com a passagem do tempo, apercebi-me que tinham fugido contigo. Nunca mais mos deste, e eu também não os esperava voltar a ter, na realidade eles eram teus por direito e eu jamais te exigiria algo que não podias, fisicamente, dar. Esse teu ato de loucura e ego revoltado, fez de mim cobaia do mundo, do teu "amor". Deixaste-me sem nada para além da carne que trago como fardo, vestida todos os dias.
Fiquei sem nada, tu tinhas tudo quanto era meu.
Mas sabes? Agora que observo o quadro todo de longe, foi a melhor coisa que me pudeste fazer: ficar com o que de mim restou, porque enquanto tu sofrias sozinho pelos dois, agarrado ao que de mim era passado, eu fui capaz de sorrir com alguém ao meu lado que me ajudou a montar novos pedaços de mim para o futuro.

domingo, 4 de maio de 2014

metáfora

Cada vez mais tropeço nos meus próprios tornozelos.