domingo, 3 de agosto de 2014

dói-me que não te doa tanto quanto me dói a mim

Enquanto aí estás, eu aqui continuo. 

Estou a chamar por ti, não me ouves? 

Não preciso de muito, só preciso de te sentir mais perto, mas tu estás aí, e eu aqui estou, deitada à espera que preenchas, pelo menos, este vazio ao meu lado.
Tapam-me os olhos e preenchem-me a alma dorida, as lágrimas que vão saindo em vão. 
Não estás a chorar, eu sei, e dói-me que não te doa tanto quanto me dói a mim. Estás feliz, e eu choro, babo, ranho, e soluço, e tu não me ouves chamar-te. 

Que prisão é o amor, que dor a solidão, que medo a loucura. Mais lágrimas me escorrem e me ensopam a almofada, mais a voz falha e o teu nome deixa de sair. Só se ouve agora o silêncio da noite e o desespero que grita em mim. Abro os olhos, e limpo as últimas gotas que me escorregam pelo rosto por engano.

"Eu não aguento mais.", agarro os joelhos que se elevam até ao peito para amenizar a dor que a tua ausência deixa em mim, e adormeço por fim, com uma data de lágrimas e o teu nome, preso nos lábios.

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