quinta-feira, 24 de abril de 2014

a meio do mar

Agarro-me a ti, como se nada mais houvesse em meu redor. Confio-te o meu corpo e deixo-me levar pela corrente. Oiço o barulho das ondas e vejo as estrelas uma última vez. O sangue flui e o oceano flui com ele, dentro dele. O medo de me afogar aperta-me o peito e procuro encher os pulmões com o ar que me resta. Estou a afundar-me e tu não, estendes-me os braços mas não queres que te agarre. Deixas-me ir como se fosse nada. Cruza-me a mente a imagem dos teus olhos, que diziam tudo sem teres que falar, diziam era o tudo quando em teu redor só existia nada e eu recordo-me de acreditar. 
Sinto-me cada vez mais longe de ti e da tona. Abro os olhos e não busco a vida: a esperança vai morrendo comigo à medida que o fim se aproxima. De visão turva, da água que me esconde os olhos, afunda-se um amor de criança que em tempos cresceu em terra e que agora naufraga no mar, sem dó nem piedade, assim, tão cheio, tão vazio. 

3 comentários:

  1. Tão bonito... sem quaisquer palavras para poder descrever...

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  2. Não tenho palavras para descrever o quanto gostei deste texto... cada uma das suas palavras... wow! Amei! :)

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