terça-feira, 13 de agosto de 2013

uma madrugada diferente

Enterrei-me na areia, enquanto cá debaixo as rebuscava, algures no céu negro que, iluminado apenas com estrelas, fazia daquela noite, algo especial, único. Contei-as para dentro, juntamente com o som das ondas que se debatiam na areia. Tal como elas, também os grilos cantavam e encantavam a madrugada.
A melodia... ahhh... a melodia... essa era de longe, a mais bela que alguma vez ouvira. "Uma... Duas... Três... ", comecei por contar. "Quatro... Cinco.... Seis...", eram aos montes aquelas que imponentes se faziam reflectir nos meus olhos como se de espelhos se tratassem. "Sete... Oito... Nove.", sussurrava eu, incessantemente, para os meus botões. "Dez.", e sorri como se estivesse a sorrir para ti. Como se estivesses ali, ao meu lado, a agarrar-me a mão e a apontar para elas, quando elas apareciam. Lá ia ela, tão solitária como eu, a rabiscar de branco o tecto que, naquele momento, me protegia.
O mundo. Eu, e o mundo éramos um. A areia e o Universo faziam parte de nós, assim como as estrelas. Estrelas cadentes que nos abraçavam calorosamente numa madruga tão fria como aquela, mas tão feliz como uma das noites de criança ingenua e feliz que vivi.

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