quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

sou do mundo, sou de ninguém

"Desolada me fechava, num canto de mim. De costas nuas e de joelhos presos ao peito, debatia-me contra a brisa que saía da janela, esquecida por fechar. Descia o Sol, erguia-se a Lua egoísta, lá no alto. E assim me passavam ao lado, os dias que pareciam ser-me eternos. No meio de um quarto sem luz, sem alma, sem som, nem ruído, jazia eu, meio despida, meio atordoada. Sozinha, sem ninguém.
De cabeça recaída sobre os braços, estavam-me na mente pensamentos que pareciam não se calar, ateimavam em permanecer e remoer-me o pouco de interior que ainda me restava. Nenhum freixo de luz refletia na minha pele, evitava-os a todo o custo, tal como o fazia com a sociedade. De vez em quando lá olhava para cima, mas perdia a coragem assim que o tecto me parecia cair como o mundo, quando me escapou por entre os dedos. Limitava-me a pensar de olhos fechados, à espera de ver luz, do outro lado da porta daquele odioso quarto, quando alguém se lembrasse de a abrir para mim e me dizer algo tão incerto e reconfortável como a simples frase: "Tudo vai ficar bem.""
 
- 25 de agosto de 2013

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